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agosto 2, 2019 / Destaque, Notícias

Quando, como e quanto gastar. Esses são alguns dos ensinamentos básicos de uma aula de Educação Financeira dada a crianças e adolescentes. A importância desses pilares, segundo especialistas, vai além da conscientização, pois pode ajudar na melhora futura da economia.

“A intervenção em crianças muda um comportamento geracional. É como a educação ambiental, o quanto mais cedo for introduzida, maior será o retorno, porque as crianças serão formadas com essa consciência”, diz Ana Leoni, superintendente de educação financeira da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Infelizmente, o Brasil ainda está longe de alcançar esse objetivo. Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2015, feito com 15 países, colocou nosso país na lanterna quando o tema é educação financeira. Segundo o relatório, mais da metade dos brasileiros de 15 anos não sabe como lidar com dinheiro cotidianamente.

Inovação

Apesar desse dado alarmante, alguns bons exemplos já existem em nosso país. É o caso do professor de matemática Nicanor Kieling, que organizou uma peça teatral sobre educação financeira na Escola Estadual Germano Hessler, em Nova Hartz, no Rio Grande do Sul, e na Escola Municipal Ayrton Senna, em Sapiranga (RS), onde ele trabalha. 

O enredo trata da disputa entre uma filha consumista e sua mãe econômica. O objetivo é fazer os alunos refletirem sobre a diferença entre necessidade e desejo. Outro modelo usado por Kieling envolve as aulas de proporção matemática. Ele pede que seus alunos do 7º ano do Ensino Fundamental pesquisem o preço do quilo dos alimentos. A ideia é identificar se é mais vantajoso comprar o pacote de 1kg ou de 5kg. 

“Tento trabalhar a autonomia deles, em questões do dia a dia. Alguns alunos compram a ideia e trazem de maneira forte o resultado. Uma aluna teve redução na conta da água de mais de R$ 100 só por comentar em casa que era preciso economizar”, conta.

O modelo usado por Kieling segue uma diretriz que passará a valer a partir de 2020, quando todas as escolas brasileiras passarão a ser obrigadas a abordar a educação financeira em suas grades de ensino infantil e fundamental. Esse debate deverá ocorrer de forma transversal, ou seja, envolvendo todas as disciplinas. 

Projeto-piloto

Outro projeto-piloto é promovido no Colégio Monteiro Lobato, localizado no bairro Boa Vista, em Porto Alegre. O professor de matemática Marcelo Cóser ensina educação financeira como conteúdo regular para o 2º ano do Ensino Médio. As discussões ocorrem há pelo menos uma década, desde que Cóser fez mestrado sobre o tema.

Os alunos estudam o surgimento do dinheiro, ambições, matemática financeira e aprendem a usar planilhas de Excel na sala de informática. A partir daí, eles calculam a variação de um investimento em relação a uma determinada taxa de juro. A ideia é projetar a aposentadoria.

“Como é um assunto útil, eles enxergam com facilidade a aplicabilidade em situações práticas do dia a dia. O problema de falta de motivação nessa atividade é bem raro, mas eu tento trabalhar com eles questões que trazem um propósito claro, como economizar para a faculdade, por exemplo”, diz Cóser.

Capacitação Pública

Na rede de ensino público do Rio Grande do Sul, 130 professores de escolas estaduais de 30 cidades gaúchas estão sendo treinados, de maio a outubro, para abordar a educação financeira em sala de aula. O curso é organizado pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

A instituição recebeu investimento de R$ 150 mil da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF). A organização conhecida por desenvolver projetos com o governo, como a Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Essa política pública, desenvolvida em 2010 para fomentar o ensino de educação financeira nas escolas, foi analisada pelo Banco Mundial. A instituição constatou um aumento da consciência dos alunos em relação às próprias finanças. 

“Temos uma sociedade cada vez mais voltada ao consumo, sem a reflexão de como isso causa impactos. Ter professores dedicados a essa temática ajuda para que, no futuro, o Rio Grande do Sul tenha cidadãos questionadores sobre o uso do dinheiro”, defende Clark Sarmento, assessor pedagógico da Secretaria Estadual da Educação (Seduc).

Fonte: GaúchaZH

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